sobre cafés e cafeteiras
março 25, 2008
Preciso de uma cafeteira. Todo mundo precisa de uma. Quero uma pra fazer café todo dia pela manhã. Café e manhã combinam. Mas a cafeteira não precisa combinar com nada. Minha cozinha é branca… mas a cafeteira pode ser preta. Pode ser branca ou vermelha. Pode ser preta com bolinhas brancas. A única exigência é que me faça um café que deixe seu gosto e seu cheiro na minha memória durante todo o dia. Até dormir. Até acordar e ter mais um café. Café forte. Café fraco. Depende do dia. Depende da cafeteira. Depende de mim. Café forte pros dias mais atribulados da semana que teima em passar apressada. Café fraco para os sábados preguiçoso de chuva… que demoram a passar. Café com leite para os dias de café da manhã com pão e geléia… destes que nunca se tem quando se divide o apartamento com uma geladeira quase sempre quase vazia. Coca-zero ela sempre tem. E Coca-zero pronta. Café alguém tem que fazer. E tem que fazer quente. Tem que trazer conforto. Coca-zero não. Coca-zero é gelada. Sempre gelada. Cafeteiras fazem cafés quentes e os mantêm quentes. Só isso… e isso basta. Preciso de uma que faça só café mesmo. Precisa fazer café e só. Colocar o pó, a água e o coador eu coloco… desde que me faça um bom café. Nada de cappuccino ou outros cafés chiques. Café bem escuro e só. Desde que traga conforto. Café e chocolate também é bom. Mas isso não precisa fazer. Só às vezes quando tiver chocolate… que não deve estar na geladeira quase sempre vazia. Sempre achei que cafeteira não é um utensílio fácil de achar. Tem em todo lugar mas é difícil encontrar uma que consiga fazer o café certo. Os cafés certos. Na verdade não existe cafeteira certa. Mas cafeteiras quase certas que na maioria das vezes fazem um bom café. Nem sempre se faz um bom café e nem sempre se deve culpar a cafeteira. Algumas pessoas acham que as cafeteiras mais caras fazem os melhores cafés. Nem sempre é verdade. Elas impressionam mais. Isso é verdade. Mas como não quero impressionar e só quero tomar café… não vou investir muito. Não acredito que comprar uma cafeteira é o suficiente pra se ter um bom café todas as manhãs. Acho que investir o suficiente é o suficiente… se isso quer dizer alguma coisa. Mas é só. Pode até ser importada. Café preparado por cafeteiras italianas são bons. O café turco preparado por cafeteiras turcas também… diferentes… mas bons também. Eles mostram o futuro em sua borra. Mas só praqueles que sabem ver. Eu nunca soube. Sempre me contentei com o café no presente. Num futuro poderia preparar outro. Talvez em uma cafeteira. Não precisa ser importada. Uma produzida aqui… pra fazer café brasileiro mesmo é suficiente. Desde que faça um bom café brasileiro. Pela manhã. Café brasileiro é muito bom. Pela tarde também. Não sei porque os brasileiros acham que pra ser bom tem que ser importado. Mania de brasileiro que não aprecia um bom café. Acho que mais que café só a própria xícara de café. Pode ser uma caneca. E canecas são mais que xícaras. São mais que próprias canecas… às vezes. Fazer café é fazer alguma coisa pra alguém. Ainda que pra si mesmo. Por mais piegas que isso possa parecer… fazer e oferecer café é demonstração de afeto. Não é como oferecer Coca-zero que já está pronta… fria… e que não se toma em xícaras ou canecas. Ainda que eu sempre a ofereça e a tome em canecas. É porque não tenho cafeteira. Senão ofereceria café. Bebo café o dia todo e se pudesse beberia ainda mais… até a azia começar a amargar a feição. Até tomar outro café doce pra combater a azia. Até tomar um café amargo pra tirar o gosto doce da boca. Até preparar outro café na cafeteira. O melhor café é o que se faz em casa. O melhor é o que se toma numa xícara… ou caneca… especial. É o que se coloca em mais de uma xícara ou de uma caneca. Melhor ainda é aquele que se coloca numa só. Para mais de um. Para sentir o gosto e o cheiro do café. Pra ficar na memória o dia inteiro. Durante muitos dias. Durante muito tempo. Minha avó tinha uma cafeteira velha e era o café que meu avô mais gostava. Meu avô devia saber como tomar café.
visita
março 24, 2008
Tenho visita em casa. Um amigo. Conheci numa viagem e por isso… sobre isso escrevo. Não sobre as viagem dele… nem sobre as minhas. Viagem só. E existem três perguntas que se faz para saber se valerá, se valeu e se uma viagem vale a pena. Só se tem certeza de que a viagem vai valer à pena, quando se faz a primeira pergunta: “eu iria pra lá?”… e a resposta é não. Aí a viagem vale a pena pelo simples fato de se ir para algum lugar que não se iria… só iria alguém diferente de si mesmo. Um outro eu mesmo iria para um lugar onde eu mesmo não iria. E isso é que faz uma viagem mudar quem viaja. Tornar-se diferente depois de viajar é conseqüência de se deixar tornar diferente pela viagem… e isso se faz antes mesmo de ir… talvez durante o ser. E se ir para um lugar aonde se iria é saber que o ser depois será igual ao ser antes. Por isso todas as pessoas são tão iguais. Sempre vão para os mesmos lugares. Onde iriam antes mesmo de ir. Sem mesmo se deixarem ser diferentes. Aonde iriam todas antes de irem todas. Todas iguais antes e depois. Pessoas iguais sempre fazem viagens iguais. E nada mais chato que uma pessoa igual a todas as outras. Ainda que os lugares sejam diferentes… os lugares aonde vão todas as pessoas se tornam também todos iguais. Existe uma previsibilidade muito grande nas viagens iguais e é justamente por isso que todas as pessoas as fazem. Porque não querem deixar de serem iguais… querem ser diferentemente iguais a todas as outras. Pessoas iguais possuem pavor daquilo que é imprevisível. Elas podem deixar de ser elas mesmas. Pessoas diferentes possuem pavor da previsibilidade de serem elas mesmas. Somente aqueles que vão aonde não iriam podem se tornar diferentes… indo… voltando… sendo iguais a elas mesmas. E só. Voltar responde a segunda pergunta: “a viagem veio me visitar depois que voltei?” Todas as pessoas voltam de viagem. Inclusive as iguais que sempre voltam iguais. Mas somente praqueles que um dia… depois de terem voltado… recebem a viagem como visita é que sabem que ela valeu a pena e ela voltou… como uma pessoa que bate à porta da mesma forma que se bateu em algumas durante a viagem. Se a resposta for sim… a viagem valeu a pena. São as pessoas que importam. Nada mais. Nem as portas importam tanto. Ainda que importem. Pessoas são sempre as mais importantes no que se faz. Só as pessoas é que ficam. Os lugares não durarão pra sempre. Fotografias muito menos. As pessoas sim. Elas tornam as pessoas que viajam diferentes. Ainda que a memória se apague a diferença é pra sempre. É por isso que viagens não são feitas de fotografias (daquelas que se tira pra provar que realmente se esteve onde todo mundo esteve)… mas de pessoas. O mais importante não é quantos lugares se visitou (e que se pode comprovar com fotografias) … mas quantas pessoas se conheceu e quantas destas algum dia trazem a viagem de volta. Quantas destas fazem uma visita depois da viagem. Pode se viajar duas vezes pelos mesmos lugares… mas não se pode fazer duas mesmas viagens. As pessoas não mais estarão lá. Algumas estarão visitando aqueles que se preocuparam mais elas do que com as fotografias. Tristes daqueles que olham as suas fotografias e encontram sempre seus sorrisos solitários em frente aos lugares que todo mundo sorri pra fotografia. Não se deve congelar sorrisos. Eles apodrecem quando descongelados no momento em que se mostra pra outras pessoas que ficam… quando se volta. E pra terminar… a terceira pergunta é: “Porra, o que eu to fazendo aqui?!” e somente aqueles que se perguntaram durante a viagem é que sabem que só vale a pena quando ficaram sem resposta (também)… termino aqui. To com visita em casa.
Two roads diverged in a wood, and I… I took the one less traveled by… And that has made all the difference.
listen to black sabbath
janeiro 24, 2008
Florianópolis, 14 de setembro de 2004.
janeiro 22, 2008
Carta ao Mickey Mouse
Não. Eu não quero ir pra nenhuma Disneylândia pós-adolescente. Isso é muito ruim, começar a escrever com um não. Prometo que termino com um sim.
É chato explicar porque a Turquia, sinceramente eu não tenho certeza. Teria se fosse pra Disneylândia, iria ver o Mickey, só isso. Mas seria mais chato se eu tivesse alguma certeza. Fico feliz por ter esse privilégio de não ter certeza que beira a ignorância. Pelo menos admito isso. Mais que isso, sei que é passageira. Uma ignorância passageira de alguém que se dispõe a passar por ela e admitir é o primeiro passo.
Se soubesse o que eu vou encontrar lá, de verdade, não iria. Ficaria em casa e pediria uma pizza. Pelo menos na pizza em casa pode ter alguma surpresa.
Ainda bem que eu vou. E vou disposto a não comer pizza, mas a comer qualquer coisa de nome turco estranho, menos pizza. Essa eu peço pelo telefone e conhecer a Turquia não.
Talvez seja mais fácil falar das coisas fáceis, que já conheço, como pizza e Mickey Mouse. Mas sinceramente não gosto das coisas fáceis, elas são sem graça, sem surpresas. E isso não vai ter na Turquia.
Ir à padaria lá vai ser difícil, eu não falo turco. E se tiver um português dono de padaria eu troco de padaria, isso eu prometo.
Também prometo não falar de pães, nem de pizzas. Lá devem existir coisas mais interessantes pra se falar. Só ainda não sei quais são, mas quando souber eu falo, até escrevo se for preciso, mas nada de padarias.
Acho que existem lugares mais interessantes que padarias por lá, eu só acho. Aqui existem. Talvez em Portugal não; mas aqui tenho certeza que sim. E isso eu não vou conseguir saber pelo telefone, nem mesmo se pedir pizza. E aqui existe a pizza portuguesa, que talvez lá se chame brasileira, sem nenhum nome turco estranho. Se for esse o nome eu peço, mas não pelo telefone, prometo ir até a pizzaria.
Vou a outros lugares também, mas à Disneylândia não. Vou conhecer outras pessoas e até portugueses, exceto donos de padaria. E outras palavras, outros sabores e dissabores, outras vidas. E se eu não quisesse conhecer outras vidas iria conhecer o Mickey.
Aprender com outros “qualquer coisa” é importante. Vai ser difícil e assim eu gosto. Aprender com os mesmos “qualquer coisa” é fácil, com os outros não. Desaprender é difícil, com “qualquer coisa”, os outros ou os mesmos, que seja. E vou fazer isso, porque é preciso pra que se possa aprender coisas novas. E admitir também é o primeiro passo (os dois primeiros já foram).
Aprender e desaprender e ter a certeza que o próprio aprendizado nem sempre está certo. Nem mesmo na Disneylândia ou na Turquia. E fazer de cada experiência de aprendizado ou desaprendizado um ato de surpresa maior do que um pedido de pizza pelo telefone. Isso sim é importante, agora terminei com um sim.
[turquia]
evolution . korn
janeiro 21, 2008
dois mil e oito
janeiro 20, 2008
Em ano novo sempre se faz promessas. Nunca fiz. Tenho que fazer pra começar o ano com alguma coisa diferente. Odeio fazer promessa. Vida não é projeto. E promessa não é planejamento. É só promessa. E se promessa é dívida e eu prometo pra mim mesmo, se não cumprir eu pago a dívida pra mim mesmo também. Acho que vou criar um blog. E escrever sempre. Mesmo se for para escrever sobre nada. E escrever sobre nada quase sempre. Tenho que mergulhar mais, principalmente no inverno, mas quando não tem vento sul, porque quando tiver… ir pra praia pra ver o vento. Até porque não se pode ver o vento quando se mergulha… pelo menos não debaixo da água. Quando chover fica mais em casa, pra cozinhar e tentar receitas diferentes. E comê-las, claro. Mas nada de receitas daquelas metidas a besta. Fazer arroz com galinha ao invés de receitas metidas a besta. Apreciar um bom arroz com galinha. E não apreciar nada metido a besta… receitas ou pessoas. Apreciar pessoas que apreciam arroz com galinha ou não… podem ser vegetarianas mas aí arroz com galinha de soja. Tudo tem de soja, galinha deve ter também. E acho que vou comer mais coisas de soja. Mas nada de soja que seja metida a besta. Chega de soja. Então preciso mais chocolate… amargo… com café. Não chega de café. Café é bom demais. Chocolate também. O de soja também. Mas não vou dar chocolates de presente. Pessoas especiais não merecem chocolates de presente. Mas alfajores merecem sim. As genéricas é que merecem… chocolate é presente genérico. Não tem erro, todo mundo gosta… até vegetarianos. Mas até eles devem concordar que o único presente menos genérico que chocolate é “vale-presente”… vale-CD, vale-DVD, vale-livro… essas coisas que se ganha no amigo secreto de alguém que não é amigo de verdade. Por isso é amigo secreto quase sempre é pessoa genérico. Pessoas especiais não dão chocolate, mas dão CDs, DVDs, livros. Porque esses sim carregam significado. Chocolate é bom, mas não carrega nada… muito açúcar claro… mas é bom e todo mundo gosta. Inegável. Até as pessoas especiais. Mas essas se presenteia. E só. Com significado. E só. E quando se presenteia, não se espera retribuição. Não é pra isso que presentes existem… muito menos por uma retribuição se presenteia. Se eu quisesse uma retribuição não daria presente. Daria um tapa. Ou participaria de amigos secretos com pessoas genéricas… que todo mundo participa mas ninguém gosta. Dar um vale-CD e receber um vale- livro não carrega significado. Pode até ser divertido às vezes. E prático. Mas ainda bem que ano passado não participei e não pretendo participar neste também não. Mas vou me dar alguns vale-livros, vale-DVDs e até chocolates. Eu não sou meu amigo secreto e também não preciso ter significado sempre. Chocolate é bom, e só. Cerveja escura também é boa… quando é das boas, claro. Tenho que tomar mais… mas não muito. Tomar nas terças-feiras. Tomar nas quintas também. Principalmente no inverno quando tiver vento sul. Não gosto de vento sul. Poderia ter menos neste ano. Ou mais pra ficar mais em casa… tenho uma dissertação pra escrever. E escrever uma dedicatória às pessoas especiais… e não às metidas a besta. Essas provavelmente estarão na bibliografia. Depois que eu escrever até posso ficar besta… mas besta que toma cerveja escura nas terças-feiras tem estilo. Arroz com galinha não tem estilo. Eu nem sei o que é estilo?! Não deveria escrever sobre isso. Poderia escrever sobre “stylilng”… mas ficaria besta antes mesmo de escrever uma dissertação. Essas coisas de estilo são engraçadas para um designer que não desenha tão bem assim. Aí entra o argumento… que não tem estilo mas pelo menos foi suficiente pra me formar. Neste ano eu quero terminar meus estudos. Aí vou começar a aprender de verdade. Coisas úteis. Como receitas diferentes. Vou poder ler os livros que ganhei de mim mesmo com os vale-livros. Um bukowski e um dostoievski. Sobre o primeiro eu converso com quem toma cerveja escura. Com o segundo eu converso com quem come receitas metidas a besta. A barba do dostoiésvki tinha estilo. Mas eu não me preocupo com essas coisas.Nem com minha barba.Tenho que me preocupar mais com as coisas que bukowski se preocupava. Que não incluem uma dissertação. Mas tenho que escrever alguma coisa boa. Não um dostoievski mas também não um bukowski. Chega de livros. Até começar a escrever… pelo menos. Queria um copiar-colar de livros. Um gerador de lero-lero para dissertações. Ainda bem que alguém já quis essas coisas e que elas já existem. Mas eu não vou usá-las. Prometo. Promessa de ano novo. Ou promessa só. Eu me divirto com essas fabulosas invenções.Tenho que me divertir também nas segundas e quartas-feiras. Visitar pessoas especiais. Preparar arroz com galinha pra elas… menos pras vegetarianas. Visitar as que estão longe também… uma vez ao menos. E convidá-las pra que me visitem também. E nem precisa trazer presente. Presente pra mim mesmo seria aprender a desenhar um pouco melhor. Ainda não existe um “vale-aprender a desenhar melhor”. Pelo menos promessa de gastar um tempo pra isso. Para ser um designer que não desenha tão mal assim. E argumento é um argumento importante só pra quem não desenha mesmo. Ainda bem que sou engenheiro. Mas também não calculo tão bem assim. Mas sei fazer um bom café. E não pretendo aprender a calcular melhor. Eu acho meu café bom. E devo fazer mais café em casa. E tomar mais bons cafés por aí. Até com chuva. Café com chuva é bom. Café é bom com qualquer coisa… menos com arroz com galinha. Mas depois é bom sim. Tenho que tomar mais chá também. Mas só em casa. Chá com narguilé é bom. Tão bom quanto café com chuva. Melhor é narguilé, chá e gamão. Parece metido a besta… mas é bom. Jogar qualquer coisa… pode até ser nas segundas e nas quartas. E quero melhorar o espanhol. Parece que se esquece tão rápido quanto se aprende. Pelo menos ler em espanhol. Mas chega de livros. Ou filme em espanhol. Alguns são bons. Outros são só em espanhol mesmo. Rap em espanhol é bom. Não como rock em inglês. que quase sempre são bons. Os velhos são. Os novos não. Rock novo não é como arroz com galinha. Os velhos são. Simples e bons. Nada de ser besta. Se uma banda velha vier pra cá eu vou. Mas rolling stones não. São velhos que não sabem que são. Só isso. Diferente dos outros velhos. Tenho que aprender a envelhecer neste ano. Pelo menos envelhecer um ano em um ano. Não mais que isso. Porque se neste ano eu envelhecer 5 anos… vou ficar tão velho quanto alguém de 8 anos. Quando eu tinha 8 anos gostava de ganhar chocolate de presente. Mas hoje prefiro presentes com sigificado. Acho que essa é uma das poucas coisas que me diferenciam de mim mesmo com 8 anos. Além das contas, da barba e da dissertação pra escrever. Antes tinha dever de casa. Então acho sobra que só as contas e a barba. E hoje eu vejo que tudo que eu queria com 8 anos para quando tivesse 28… eu consegui. Eu queria se grande. Mas não tinha pensado em ficar velho.Não que eu seja velho. Mas velho pra um menino de 8 anos é quem tem barba e paga as próprias contas. Coisas chatas de gente grande e velha. Não gosto de fazer barba ou contas. E pagar contas é pior que fazer contas. Escrever contos deve ser legal. Talvez escreva, mas não prometo. Mas tenho idéias pra contos. Uma delas é um sobre o mickey mouse. Nunca li um conto sobre ele. Também não gosto das revistas dele. Mas dos desenhos eu gosto. Mas nesse ano quero ver mais desenhos do pateta do que dele. Prefiro o pateta. Ele é menos metido a besta. E deve gostar de cerveja escura. Eu acho. Ele tem cara. E nas promessas há sempre as coisas que se promete que vai comprar. Vou comprar o que puder pagar. E só. E ainda bem que posso comprar muitas coisas e que posso pagar todas elas. Não tudo… claro. E como não me preocupo com estilo. Consigo comprar coisas que um designer acha que são boas. E estilo fica nos produtos que são vendidos pra quem não consegue pagar por eles. Pagam por “styling” e não sabem o que isso significa. Se soubessem acreditariam mais em argumentos do que em desenhos. Eu acho. Mas falar de styling é ficar metido a besta. Vou comprar presentes que possa pagar e vou presentear. Coisas tão simples e cheias de significado quanto um anel comprado no lugar mais estranho do mundo. Ou no lugar mais cheio de significado do mundo estranho. Uma pessoa especial merece um presente tão especial assim. Ou comprar e presentear livros lidos. E ler não gasta livros. Mas com dedicatórias. E elas sempre significam mais que o livro todo. E livro com dedicatórias são pra pessoas especiais. Pras outras… “vale-livros”. Nunca soube explicar o que são pessoas especiais. Talvez esse ano consiga. Talvez não. Acho que não. O mundo, estranho ou não, pode ser divido em pessoas especiais ou não. Mas também em pessoas que tomam coca light e não. Mas pessoas especiais são especiais. E só. Ainda não sei se algumas delas podem ser metidas a besta. Talvez esse ano descubra. Talvez não. A maioria das coisas que se pensa que vai acontecer no ano… não acontece. Mas mais filmes eu vou ver. Os do Tim Burton e os de super-heróis. Ele poderia fazer um desses. Vou ao cinema sozinho. Nunca fui. Parece triste. Mas aí tomo algumas cervejas escuras e vou. Filme do Tim Burton deve combinar com cerveja escura. Os filmes dele são sempre escuros. E são tão bons quanto boas cervejas escuras. Cinema sozinho pode ser em uma segunda-feira. Ou em qualquer dia desde que seja estréia de um super-herói do Tim Burton. Ele não vai fazer. Não que eu saiba… por enquanto não. Super-herói, alem do pateta… claro… tem que ler alguns diferentes. Anti-heróis. Daqueles que comem arroz com galinha. Daqueles que vão ao cinema sozinhos. Eles tomam coca light ou não. Deve existir algum andando por aí. Mas eu não falaria com ele. Não falo com estranhos. Isso quer dizer que não falo com ninguém porque não existe alguém que não seja estranho. Pelo menos depois de se conhecer. Pessoas genérica são estranhas… todas estranha e genericamente iguais. E os mais estranhos são os mais divertidos. Alguns são especiais outros só bebem coca light ou não. Tenho que falar mais com estranhos. Na verdade os mais estranhos sempre falam comigo. É carma. Deve ser. Mas é divertido. Outro carma é ter que ver partir pessoas especiais. Esse não é divertido. Nem um pouco. Os especiais vão e os estranhos vêm. Esse ano vou deixar ir… inclusive os estranhos. Se forem seria menos divertido. E alguns deles são especiais. Mas no começo não dá pra saber. Mas se são também se vão. Eu fui. E voltei. Posso ir outra vez. Não se sabe. Mas nesse ano não devo ir. Tenho um ano pra ficar aqui. E não ir é bom também. Viajar também é. Esse ano eu viajo. Essa promessa é dívida mesmo. Até sozinho. Com cervejas escuras pelo caminho… claro. E estranhos. Acho que vou pela América Latina. Assim melhoro o espanhol. Menos se for pra Argentina. Não se fala espanhol lá. Se fala qualquer coisa parecida com o que se fala em Canasvieiras… até com vento sul. Mas vou depois de escrever a dissertação. E poder passar uns dias sem trabalhar. Eu gosto de trabalhar. Ano passado apostei demais no trabalho. Perdi. Mas recuperei. Não o mesmo trabalho… mas outro ainda mais divertido. Gostar de trabalhar não é ser metido a besta. E trabalhar e não gostar é ser besta. E trabalhar só pra comprar coisas que não se pode pagar é ser mais besta ainda. Trabalhar com fone de ouvido é bom e tenho que ter cuidado pra não ficar surdo. E escutar mais tool e menos a perfect circle. Mais rap em espanhol. Mais rock velho. E velho no rock é mais de 10 anos. Se bem que de faz 10 anos que não aparece nada bom no rock. Só tool e perfect circle mesmo. Fone de ouvido é bom pra afastar estranhos e bestas. Mas é difícil conversar com quem está com fones. Tenho que encontrar um jeito mais fácil de conversar comigo. Não eu… mas os outros. Eu converso comigo com fones de ouvido mesmo. Mas nesse ano quero descobrir porque ninguém vai com minha cara quando me conhece. Pelo menos na primeira impressão. Talvez seja o fone de ouvido. Mas eu sempre tiro pra conversar. Tenho bons modos… pelo menos eu acho. Mas quando quem não gosta de mim me conhece mesmo… acaba gostando. Eu não sou metido a besta… até porque tenho bons modos. Só não tenho aquilo que não posso pagar. Nunca comprei bons modos. Mas hoje se pode comprar qualquer coisa. Inclusive o que não se pode pagar. E comprar pra ter é mais importante que fazer pra significar. Como se comprar um livro valesse mais que escrever a dedicatória. Pra alguns vale. Mas pra quem é especial não. Um dia ainda escrevo um livro. Mas nesse ano só posts e talvez um conto… que pode vir a ser um livro. Mas a única coisa que tenho que escrever é a dissertação mesmo. Vou me preocupar mais com saúde. Importante. Comer mais beringela. Que é saudável e eu gosto. E fazer exercícios. Não muitos. Só o suficiente pra saúde. Mergulhar é saudável também. Ainda bem. E vou escrever pro ari almeida. Ele pode ler o blog que vou criar. Mas o dele é melhor que o meu. Certeza. Vou passar o carnaval com estrangeiros. Carnaval devia ser só pra estrangeiros. Eles gostam e até fazem o carnaval ficar divertido. Até pra brasileiros que não gostam de carnaval. Escrevi demais.
poema em linha reta
janeiro 18, 2008
por Álvaro de Campos
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
quem sou eu:
janeiro 17, 2008
Cafe forte, cerveja forte e suco de maracuja com leite condensado. Desenho animado. Brasil. Dormir com chuva. Nao falar muito, mas falar besteira. Sessao da tarde. Meu teclado nao tem acento. Toddy. Livro com cheiro de mofo. Gastronomia de boteco. Amigos no mundo todo. Riff. Doce depois do almoco. Saudades da oma. Nao conheco meu vizinho. Rock’ Roll. Ainda vou pra Jerusalem. 5.75. Sei fazer arroz com galinha. Nao me formo nunca. Pensar muito e compartilhar pouco. Dia frio com sol. Dulce de leche. Sabado. Dirijo mal. Odeio agriao e frase feita. Mutluluk bile acı veriyor. Çünkü sonu var biliyorum. Queria desenhar bem. Sarcasmo. Meus velhos amigos que nunca mais vi. Os novos que nunca mais vou ver. Menina de oculos. Snickers. Eleanor Rigby. America Latina. Musica gritada. Reserva Biologica Marinha do Arvoredo. Tavuk Döner. Calca jeans e moleton. Coca-cola. Lead me on the path of integrity.
[orkut]
